
Nossa vocação cristã: “Um encontro de fé com a pessoa de Jesus” DA 6.1.1
Convido os meus fiéis diocesanos para que neste mês de agosto valorizemos a nossa vocação como dom do Senhor e um serviço a iluminar a caminhada vocacional diocesana. Evito fazer apenas uma reflexão pessoal, mas antes uma reflexão comunitária, onde todos os fiéis diocesanos se coloquem em oração, serviço e abertura para ouvir e assumir o compromisso no Reino de Deus.
O Reino de Deus é um êxodo permanente. “E a Palavra se fez carne e veio morar entre nós. De sua plenitude todos nós recebemos, graça por graça”. (Jo.14. 16). Abertos às inspirações do Espírito Santo para fazer a vontade do Pai, procuremos ser discípulos humildes e obedientes para fazer sempre a vontade do Pai.
Nossa vocação é dar testemunho e ajudar a construir o reino anunciado por Jesus e a comunhão de amor entre as pessoas e a comunhão dos homens com Deus, Uno e Trino, que nos ama. A vocação de todos discípulos(as) de Jesus está vinculada ao mistério trinitário. O Verbo, que procede do Pai, vem pelo poder do Espírito Santo para compartilhar da nossa condição humana e abrir, mediante a sua morte e ressurreição, nossa história e nosso destino eterno. Desta maneira, os filhos e filhas de Deus dispersos são reunidos no Espírito, formando o povo de Deus, a caminho no retorno ao Pai, mediante a opção vocacional assumida por cada pessoa.
Na Igreja, entendida como a comunidade do povo de Deus, o Espírito Santo suscita vários ministérios ou serviços em favor dos irmãos na fé e da inteira comunidade humana. Neste sentido podemos falar de uma Igreja toda ministerial, isto é, uma Igreja onde todos os seus membros têm uma missão importante na obra da evangelização em nossas comunidades.
Há na Igreja uma comum e básica vocação para todos que se constitui em vocações especificas. Como o apóstolo Paulo podemos dizer que há um só Espírito, porém os serviços e funções realizados pelo dom e compromisso da nossa vocação, são diferentes. (1Cor.12,1-14).
As comunidades cristãs quando se reúnem para ouvir a Palavra de Deus e para alimentar-se da Eucaristia são convidadas a ver nos seus sacerdotes os seus ministros ordenados. “O Presbítero, à imagem do Bom Pastor, é chamado a ser homem de misericórdia e compaixão, próximo do seu povo e servidor de todos, particularmente dos que sofrem grandes necessidades” ( DA 198).
A Igreja incentiva a vocação à vida consagrada, mostrando a importância do estado religioso na Igreja, onde “pelos votos, o fiel se obriga aos três conselhos evangélicos:”pobreza, castidade e obediência (LG. 44). Embora o estado de vida constituído pelos consagrados não façam parte da hierarquia, é de suma importância para a vida da Igreja, principalmente nas suas dimensões contemplativa e missionária.
Os leigos, homens e mulheres, por sua própria experiência de vida, por sua formação específica estão em especiais condições de dar à pastoral uma contribuição em relevo, principalmente ao assumir a família, o trabalho, a melhoria da educação e saúde dos irmãos da comunidade. Sua contribuição, fruto da sua vocação assumida, se faz sentir de modo especial em ações tão importantes para a construção de uma sociedade justa e solidária.
Fundamental é desenvolver e dar espaço para que o leigo(a) possam exercer na Igreja a função e o serviço a que tem o direito por vocação, e não para substituir as carências de ministros ordenados. Portanto, a comunidade cristã é chamada a refletir sobre isso e a se abrir ao Espírito de Cristo para que se faça surgir sempre mais consagrados, sacerdotes e leigos que se dediquem plenamente à tarefa evangelizadora. Louvemos a Deus por todos os vocacionados da Igreja!
Dom Getúlio Teixeira Guimarães, SVD
Bispo de Cornélio Procópio-PR
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